30 de ago de 2017
Por Elisabete Finco

A Dama de Papel / Catarina Muniz

Título: A Dama de Papel
Autora: Catarina Muniz
Ano: 2015
Páginas: 256
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Erótico / Literatura Brasileira / Romance
Nota: 5/5
Sinopse: Localizado na zona periférica de Londres em meados do século XIX, o bordel de Molly está sempre repleto de fregueses: ricos e pobres, magnatas e operários. O que nenhum deles sabe - nem mesmo as outras trabalhadoras do estabelecimento - é que a dona do prostíbulo optara por ser "mulher da vida fácil" após fugir de um casamento forçado, abrigando-se nas entranhas de um cortiço na busca indelével por liberdade.
Certa vez, no entanto, Molly é inebriada pelas propostas de um cliente: Charles O'Connor, o herdeiro de um império têxtil, deseja que ela seja somente sua. Molly, arrebatada pelas sensações provocadas pelo novo amante, se vê obrigada a questionar o modo de vida que conduzira com orgulho até então, além de testar os limites da liberdade obtida a duras penas.
Entregues à avassaladora paixão e à incrível química sexual que os unem, Molly e Charles precisarão enfrentar as represálias que os unem, Molly e Charles precisarão enfrentar as represálias sociais e a moral conservadora da época para dar continuidade a este amor proibido. Mas terão de pagar um preço alto por suas decisões.

Resenha
Esse livro é um contraditório. Foi presente de uma amiga e só por isso eu já leria. Houve quem leu e amou e quem abandonou. A narração alterna os pontos de vistas dos dois personagens e a autora Catarina Muniz, soube descrever com muita propriedade o ambiente da história, tanto físico quanto emocional. Vou avisar que as cenas de sexo são intensas, por isso não recomendo para menores de 16 anos.


Molly assim como toda prostituta, não nasceu Molly. Ela nasceu como Melinda Scott Williams, filha mais velha de uma família pertencente à Burguesia. Prometida a Albert, um importante financeiro da época não suportava a ideia de sentir-se presa sob as ordens de alguém, mais precisamente de um marido.

"Cada escolha uma renúncia isso é a vida". Ninguém melhor que Molly sabe a verdade dessas palavras. Essa é a história de quem escolheu, ousou e lidou com suas escolhas. Eu penso que ela é uma dessas pessoas que nasceu na época errada, e por estar presa pelas convenções sociais e morais da época ela fez sua escolha e fugiu, do seu destino traço da vida que não queria viver.
''-Porque eu jamais aceitei esse destino! Nunca fui simpática à ideia de ser uma moça nobre, cercada de servos, riquezas, limites alheios e frustrações! Nunca me afeiçoei à possibilidade de me esconder à sombra de ninguém, em especial de um homem, um marido. Sempre quis viver para mim mesma, à minha maneira.''
Para um dama sem profissão e sozinha não restavam alguma opção, e entre morrer nas ruas de frio e fome ou da violência buscou e encontrou abrigo em um prostíbulo. Sendo acolhida pela dona, aprendeu as artes do ofício, como usar seu corpo para dar todo prazer sexual e receber em troca ouro e presentes dos clientes. Com o passar dos anos herdou o local e fez uma excelente má reputação.

Sua fama se espalhou do mais simples operário aos aristocratas e foi por meio de informações e narrativas detalhadas de alguns clientes sobre as habilidades de Molly na cama que Charlie O’connor chegou até ela.

Charles O'Connor, o herdeiro de um império têxtil, advogado inteligente, educado e charmoso, marido e pai. A curiosidade alimentada pelos relatos dos feitos de Molly nas altas rodas, vai até ela e a desafia a demonstrar-lhe suas habilidades a troco de uma alta quantia. O que ele não esperava era sair de lá apaixonado por aquela prostituta. E para dar vasão a todos aqueles sentimentos despertados por Molly ele começa a escrever e no papel exorcizar seus sentimentos.

Mas não foi apenas o sr.  O'Connor, que teve uma surpresa com aquele encontro e novamente Molly se via ante uma escolha e quando o amor bateu a sua porta, ela optou por abrir e escolher viver seus sabores e suas dores. Deu seu corpo e sua alma ao amor mas sempre soube o que nunca capaz de dar, o que nunca poderia abrir mão.

Mas não estamos falando daqueles amores tranquilos e logo a vida de Charles que é cada vez mais pressionada pela crise financeira que assola suas fábricas, um personagem ressurge na vida de Molly, e quando Charles pede exclusividade na cama de Molly, que deveria ser fácil por causa da paixão e química entre os dois, uma ultima força se interpões entre os dois: a moral conservadora da época vitoriana.
''- Sim, Molly. É você a minha dama. A dama cuja corpo, pele, lábios e saliva me envenenaram de tal maneira que já não venho até aqui ao seu encontro, mas ao encontro de mim mesmo.''
E já nesse momento não posso dizer porque não torci pelo casal principal. Me compadece da Kateriny por ser fruto do seu tempo e pelo amor que não foi o bastante, afinal como esposa qual outra opção lhe restaria? Ela vivia com todas as suas decisões tiradas de si pelo marido e por suas vontade tolidas pelas regras da sociedade. E nesse momento após tanto torcer por um destino feliz pra os envolvidos naquela amor que não deveria ser, vemos Molly novamente tendo que escolher. E no fim ela não teve uma vida feliz após suas escolhas mas a viveu ciente que era feito de sua escolha e que nunca seria alguém que poderia escolher não ter o direito de escolher.

Mas eu recomendo aos fãs de como eu era de você. Recomendo o jeito de escreve da autora que além de inteligente é muito maduro e sem partes desnecessárias. Algumas vezes durante a leitura eu parei a leitura lembrei de músicas como Natasha - Capital Inicial e o Musical Cats. E terminei ainda saboreando a história e como todo leitor tentando encontrar uma forma pela qual o final poderia ser aquele eu gostaria. E aqui está o brilhantismo da história, o final foi o único que poderia ter sido. O que faz sentido ser.

Te desejo uma ótima leitura e viva a intensidade ao lado de Molly! ~Elis ♥

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