7 de set de 2017
Por Nathália Bastos

Mundo - O Cenário da Minha História

Quem nunca se frustrou com a vida? Quem nunca se perguntou: pra que eu nasci? ou até mesmo se derramou em lágrimas e sentiu aquela imensa vontade de morrer?

Essas são as perguntas que perseguiram desde a minha adolescência, sentimentos de impotências, de achar que não sou boa o suficiente para sociedade, de nunca me achar linda o suficiente.

O mundo tem muito esteriótipos, possui padrões, mas cada pessoa tem um pensamento, uma opinião, e com base a isso vai criando a sua família, e nova geração não aguenta e se sente preso um ciclo onde não sabe como alcançar as excitativas que seus pais criaram sobre você. É triste, mas é a nossa realidade, digo por mim mesmo,  que hoje, prestes a completar 28 anos me pego analisando a minha vida, comparando com a vida dos outros, vejo muitos amigos, bem mais novos que eu, já com família formada, conquistando a carreira profissional, viajando e postando fotos nas redes sociais e mostrando aqueles sorrisos da família inteira, enquanto eu estou aqui, desempregada, solteira e aquele sentimento que não valho nada.

Para quem não me conhece, sou deficiente auditiva, com perda de leve a moderada, uso aparelhos auditivos e levo uma vida normal como todos, mas, a sociedade não me vê dessa forma, sabe como eles vêem? como uma garota que é doente mental ao qual não possui capacidade para fazer grandes coisas ou até mesmo realizar tarefas difíceis. O buylling foi minha amiga durante toda a minha vida, sofri as piores humilhações que alguém poderia imaginar, desde apelidos horrorosos por conta eu ser extremante magra e por eu ser cristã e seguir os princípios a risca, até o ponto de eles fazerem brincadeiras terríveis, jogando meus materiais no chão no meio da classe de aula e todos a minha volta rindo, até o próprio professor!!! Enquanto eu chorava, eles riam de mim, e eu ia embora para casa tentando engolir o choro para não contar para minha família pois sabia que de nada adiantaria, eles até poderiam ir a escola para pedir a que eles tomassem uma atitude, mas como se nem a própria direção da escola ligava para isso?

Sabia que você poder ter diploma de graduação, de até mesmo de doutorado, a sociedade ainda vai te olhar como alguém inferior só porque você tem um mera dificuldade de ouvir perfeitamente? Eu mesmo já levei muitos "nãos" por causa disso, levo até hoje. Com o passar do tempo eu fui só guardando isso dentro de mim, ouvindo as pessoas que eu deveria correr atras dos meus sonhos, outros simplesmente dizem que eu preciso casar, ter um marido, até porque chegar a minha idade e nunca ter tido um relacionamento é um problema e eu só seria considerada uma "pessoa" se eu tivesse uma aliança no dedo, falam que eu preciso fazer um concurso público porque me dará um emprego pelo resto da vida e assim estaria financeiramente estabilizada.

É, o mundo quer ditar as regras, mas a gente não quer seguir elas, porque não é assim que  o achamos que vamos conseguir ter a tal felicidade, o mundo mostra que assim, mas você sabe que no fundo não é isso que você quer, dificil conversar com esse mundo viu. 

Mas quer saber, esse tal de mundo é só um mero cenário, então eu sou a protagonista que vive nele. Nos filmes, livros, mostram que é o personagem quem constrói a sua história e não o cenário, então sou eu quem tenho que construir minha história, sou eu quem tenho que mostrar e falar o que eu quero para mim, se ele tiver regras, quebre, se ele te impor padrões, mostre que você não vai seguir, dar as caras, mostre quem é você de verdade, se liberte dos seus medos, encontre a alegria e a felicidade naquilo que você importa e sabe que é isso que vai te fazer sentir bem. Esta na hora de parar de se importar com que os outros pensam sobre você, você não deve nada a eles, não são eles que fará a sua vida continuar rodando, é você. 

Desculpe Mundo, mas você é só o cenário da história da minha vida e eu posso muito bem mudar de cenário e fazer o que eu bem quiser. Desculpe, mas eu ando na contra mão, até porque não sou maria-vai-com-as-outras, posso muito bem decidir meu rumo, não vou deixar minha vida solta por aí e deixar ver até onde vai dar, vou cometer meus erros e aprender com eles, mas vou continuar a viver, vou ser feliz a minha maneira e não a sua. Desculpe Mundo, mas a vida é minha e tenho total autonomia para decidir o que é melhor para mim. 

↜↝

Esse foi um texto sobre a minha vida, sobre como eu consegui dribla a depressão, não foi fácil, mas eu consegui. Só digo para você: você é o dono da sua vida, é você quem decide como quer que ela seja, onde quer chegar. Cuide de você, se liberte, voe, sonhe, continue a nadar, mas por favor, não desista sua vida, ela é preciosa demais para deixar se vencer pelo Mundo. 

- Campanha Setembro Amarelo.


Minha tatuagem com a frase do livro em que se trata sobre depressão e suicídio

Quebrei o casulo e voei - Uma Canção para a Libélula Parte II da autora Juliana Daglio





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2 comentários:

  1. Que texto lindo!! Cê é linda, corajosa, uma mulher dessas bicho, é pra levar no coração. Te desejo toda e a maior felicidade do mundo 😍

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  2. Que texto lindo!! Eu li com lágrimas nos olhos e o coração cheio de orgulho.
    Voa, Libélula, voaaa! <3

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