11 de dez de 2017
Por Lizi Reis

O NARIZ / NIKOLAI GÓGOL

Título: O Nariz
Autor: Nikolai Gógol
Editora: Assírio & Alvim
Páginas: 76
Avaliação: 3/5
Sinopse: Pai da moderna prosa russa, Nikolai Gógol escreveu um conto, uma sátira que tem por fundo a atmosfera oitocentista de São Petesburgo, e que pelo absurdo e pelo ridículo da situação (o assessor de colégio, major Kavaliov, acordou uma bela manhã sem o seu nariz e, para espanto seu, encontrou esse mesmo nariz, o seu, a passear-se pela cidade, fazendo-se passar por conselheiro de Estado) acabaria por ver recusada a sua publicação, por ser considerado "sórdido", na revista "O Observador de Moscovo", para a qual havia sido inicialmente escrito a pedido de Pogodin. Foi mais tarde publicado em "O Contemporâneo", com uma nota de Pushkin, o pai da moderna poesia russa. Chega agora pela primeira vez à edição portuguesa traduzido diretamente do russo por Nina e Filipe Guerra, com uma introdução de Vladímir Nabokov, e é obrigatório lê-lo porque se trata de um dos textos mais marcantes da prosa contemporânea.


Hoje venho trazer uma resenha crítica um pouco diferente das últimas que vocês viram aqui no Blog, será sobre um conto... 

Nikolai (1809-1852) nasceu na Ucrânia, mas viveu boa parte da sua vida na Rússia, seus contos (apesar de eu apenas ter lido este dele) são cheios de ironia, sarcasmo e comicidade, e esse foi um dos contos mais absurdos que já li (bem louco, rs). É uma história com grande teor crítico à sociedade russa, dando destaque aos cargos públicos, coisa que o autor gosta de fazer... citar um cargo público, ou atribuir aquele cargo a um personagem e criticá-lo, e por isso e outros motivos suas obras são referências na literatura mundial até hoje. Suas obras são fundadas no realismo, com uma originalidade única que posteriormente se torna um surrealismo. 
O conto é dividido em três fases:


1. Na primeira fase temos um acontecimento inédito e estranho. No dia 25 de Março, na cidade de  São Petesburgo, um barbeiro chamado Ivan Yákovlievitch encontra um nariz dentro do pão que sua mulher, Prascóvia Óssipovna, preparou. Ele percebe que o nariz pertence ao assessor de colegiado (major) Kovaliov. A mulher de Ivan fica super estressada e briga com ele achando que ele arrancou o nariz do cliente, pois várias pessoas reclamam sobre a forma que ele trabalha, e ele sai doido pra esconder o nariz.

2. Ao mesmo tempo, Kovaliov acorda e percebe que no lugar onde deveria estar o seu nariz, só tem um lugar liso, ele decide sair e procurar o nariz, e encontra-o como um Conselheiro do Estado (alto cargo), mas o nariz consegue despistá-lo. Kovaliov decide então ir à seção de publicidade de um jornal, onde acaba não resolvendo nada, pois ninguém dá importância para seu anúncio, que seria colocar as descrições do nariz para caso alguém o visse. Quando ele volta para casa, o Comandante avisa que encontrou o nariz e entrega-o para Kovaliov, que tenta colocar o nariz no lugar, mas sem sucesso. Ele recorre a um médico que constata ser impossível.

3. O nariz volta ao lugar, como se nada tivesse acontecido, Ivan vai fazer a barba de Kovaliov como se o dia anterior não tivesse existido.

O conto traz vários pontos como crítica à corrupção, suborno (como, por exemplo, para conseguir cargos importantes), falhas do sistema social, com o Imperalismo Russo e a burocracia, revela também a situação das classes menos desfavorecidas, etc. E apesar de ter sido escrito no século XIX, podemos perceber essas falhas no século presente.
Um conto absurdo com um grande repertório, que faz com que aquela tal pergunta fique como uma pulga atrás da orelha: "mas que diabos o nariz representa?". E com um final de "puxar o tapete" de qualquer leitor.


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