3 de fev de 2018
Por Lizi Reis

DOCUMENTÁRIO / PRETO CONTRA BRANCO

Data de lançamento: 2004
Direção: Wagner Morales
Elenco: Habitantes do bairro de São João Clímaco e da favela de Heliópolis
Gêneros: Documentário
Nacionalidade: SP, Brasil
Distribuidor: Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec)
Ano de produção: 2003
Tipo de filme: Documentário

SINOPSE E DETALHES
Uma tradição de mais de 30 anos e praticamente desconhecida na capital paulista é o ponto de partida do documentário Preto contra Branco, que discute o preconceito racial no Brasil usando como referência uma partida tradicional de futebol de várzea com moradores de dois bairros de São Paulo.
Desde 1972, um grupo de moradores do bairro de São João Clímaco e da favela de Heliópolis, na zona sul da capital, organizam um jogo de futebol de brancos contra pretos em um campo de várzea, no final de semana que antecede ao Natal.
Em uma comunidade altamente miscigenada, composta basicamente por mulatos, a peculiaridade da partida é a auto-atribuição da raça pelo participante. Cada jogador se declara negro ou branco e “escolhe seu time”.

A equipe do documentário passou uma semana entrevistando personagens, acompanhando o dia a dia dos bairros, em um processo que culmina no jogo. Trata-se de um verdadeiro ritual, no sentido antropológico, que serve para atenuar as tensões raciais locais ao mesmo tempo em que acaba por revelá-las.

Desde 1972, um grupo de moradores do bairro de São João Clímaco e da favela de Heliópolis organiza um jogo de futebol de brancos contra negros no final de semana que antecede o Natal. Cada jogador deve se declarar negro ou branco e escolher o seu time, mas não é bem assim que acontece.

            Até 1971 eram jogos de casados contra solteiros, até que Tipiu (preto) criou o jogo querendo mostrar que os pretos eram melhores jogadores de futebol do que os brancos. Todo o documentário gira em torno de uma pergunta polêmica: “qual cor você se considera?”.

            Para mim, o documentário é repleto de atos racistas, em que muitos acreditam não haver esse preconceito, como por exemplo, o morador Pneu (preto), em que ele diz que “todos tem o direito de serem racistas” e que “não há piadas racistas por que o contexto não é racista”, mas como o contexto não é racista se “no dia da brincadeira todo mundo aproveita para falar o que não pode o resto do ano”, segundo Rappin’ Hood (preto)? Mas Rappin’ diz não se importar com os comentários, senão ficaria louco.

            Outro participante do jogo por cinco anos, Camarão (branco), que adora “brincar” com máscaras de macacos e bananas, diz que os “morenos” sempre querem jogar no time dos brancos, pois é um time mais bem preparado e organizado, e isso é óbvio, já que eles treinam juntos o ano todo e tem campos próprios, como Rappin’ Hood diz.

            Outra parte interessante do documentário foi sobre Marcelo e os seus pais, onde ele se considera moreno (e aí entramos no dilema: moreno é cor ou não?), a mãe se considera marronzinha e o pai se considera negro, assim como considera o filho. Marcelo alegou que uma vez quando foi jogar e foi perguntado sobre qual time gostaria de entrar, ele escolheu os brancos, por se considerar branco, mas foi julgado logo em seguida por ser considerado negro pelo resto do time, e então existe ou não a escolha de qual time quer jogar? Marcelo alegou que quer jogar no time dos brancos, pois brancos são mais objetivos e mostram resultados, enquanto os pretos só gostam de aparecer, a sua mãe dá ênfase ainda dizendo que preto tem mais energia do que branco, e o branco qualquer coisa já tá desabando.

            Com o André (preto) podemos perceber o quanto a história interfere nos dias de hoje, ele diz que o preto só é conhecido se for jogador de futebol ou pagodeiro. Relata também os atos de racismo que sofre a caminho da sua faculdade por ser considerado previamente como um ladrão. Sobre o jogo, ele diz que não considera uma confraternização e que há muita rivalidade.

            Outra família que chamou muito a minha atenção foi Preguinho (jogador profissional preto) e seus pais, pai branco e mãe negra. O pai o chama de café com leite e insiste que ele deveria jogar no time dos brancos e mostra como é vergonhoso ter alguém da sua família chamado de “preto”. Mas Preguinho joga apenas no time dos pretos, pois se considera preto, “negão” (como ele mesmo se denomina).

            O documentário é repleto de racismo, tanto da parte dos brancos quanto dos pretos, seja um preto querendo ser branco por causa dos privilégios ou para satisfazer alguma parcela em específico, ou um branco “brincando” e “tirando sarro por pura diversão” dos amigos pretos. No final, é mais perceptível, com juízes corruptos (não é um “juiz dos nossos”, ou seja, trabalha para os brancos, claro), vaias, xingamentos, uma confraternização nada saudável, com uma rivalidade de raças gritante. A todo o momento senti essa impotência e ignorância dos pretos e a supremacia dos brancos.

Comentários via Facebook

1 comentários:

  1. Olá Lizi!!!
    Lendo seus comentários sobre o documentário realmente não tem como dizer que este é um documentário totalmente racista, não sei dizer se este era o objetivo dos produtores de demonstrar que existe o racismo ou não mas é algo que dar uma certa raiva e que você fica indignada.
    Eu provavelmente não assistiria o documentário, pois ficaria com muita raiva mas aplaudo você por trazer sua opinião sobre algo que é sem palavras.

    lereliterario.blogspot.com

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