29 de jun de 2018
Por Hugo Vinicius

Crítica: Os Incríveis 2 - um produto de sua época

Família Pêra. Que saudade que eu tava
Olha, a coluna está saindo com um pequeno atraso, mas o motivo é nobre: No ontem de quando esse texto sair (28/06), estreou nos cinemas brasileiros o tão aguardado Os Incríveis 2 (Brad Bird, 2018) e eu estava lá para ver! Foram 14 anos de espera, nós envelhecemos, o Brasil perdeu 3 copas de lá pra cá, estamos tentando não perder a quarta enquanto você está lendo isso e a pergunta que paira sobre todos nós é: “valeu a pena?”

Olha, rapaz.... valeu sim. Sem ponto de exclamação ou entusiasmo demais, mas saí feliz do cinema, posso dizer. Não dá para começar a  falar deste filme sem elogiar a animação primorosa da - sempre genial – Pixar que conseguiu sim dar mais um passo na tecnologia. Eu me dei ao trabalho de rever o filme original antes de ir ao cinemas e questionei para onde aquela animação poderia evoluir – tamanha a qualidade do que fora feito lá em 2004. Ledo engano. Texturas de pele, tecidos e alimentos são tão reais que a vontade é de ir até a tela do cinema e tocar tudo que é visto em cena – destaco os dedos sujos de farinha no fofo curta que precede o filme e a barba por fazer do Senhor Incrível que desafia nossas noções de “animação”.

O diretor Brad Bird retornou a este filme com a proposta de trazer algo novo, não ao cinema, mas àquela família que aprendemos a amar. A Pixar sempre bateu o pé – mesmo com aparceira Disney - e disse que só tocaria na querida Família Pêra novamente se houvesse mesmo algo a dizer sobre eles. Parece que ele conseguiu, e para mim, este aspecto carrega o duro peso de ser a maior conquista e maior tropeço da história ao mesmo tempo.

É bem verdade que Os Incríveis nunca foi uma diversão vazia. O primeiro filme abordava o drama de um casamento que desmoronava repleto de frustrações e desconfianças. Naquele enredo certeiro, os superpoderes de seus personagens não eram muito mais do que ótimas metáforas sobre suas emoções, e a catarse acontecia na descoberta de que não há poder maior do que a família. Lindo, lindo.

Neste novo longa, que começa na mesma cena em que termina o primeiro, os heróis continuam ilegais no mundo, e um milionário simpatizante da causa planeja usar a Mulher-Elástica como garota-propaganda de uma mega campanha para trazer todos os heróis à legalidade novamente. Ocorre que, neste contexto, temos os papéis familiares invertidos, colocando a Mulher-Elástica nos holofotes e pondo o Sr. Incrível na função de dono de casa. Nesta inversão, o roteiro é brilhante. É hilário ver o robusto Sr. Incrível exausto e descontrolado tentando lidar com os afazeres domésticos, enquanto sua esposa protagoniza, sozinha, cenas de ação de fazer inveja a qualquer Vingadores por aí.

A mensagem final que a animação tenta nos passar é a de que, como aconteceu com a matemática, o mundo mudou, mas ainda é tempo de aprender com ele e se adequar. Se em 2004 a mensagem era de união familiar, este agora – na “Era da Lacração” – é sobre empoderamento feminino e, ironicamente, paternidade. Ao separar nossos heróis, Brad Bird deu à mãe uma lição sobre protagonismo e ao ex-protagonista, uma lição sobre ser pai – e isso é muito bonito. Ao inverterem seus papéis, um compreende melhor o peso que o outro carrega e passa a ter maior respeito e admiração. Os Incríveis 2, nada mais é, no fim do dia, do que uma bonita lição sobre empatia.

Mas se eu estou dizendo tudo isso, porque disse que também era o maior tropeço do filme? Justamente porque acho que esta temática afasta o filme do equilíbrio perfeito entre diversão e profundidade que possuía o original. O filme perde em ação e humor ao dar espaço para subtextos complexos como representatividade e machismo e acaba se arrastando um pouquinho – a duração dos dois é quase a mesma, mas este perde o fôlego em alguns momentos. Não é um erro, longe disso. Uma escolha criativa foi feita e merece suas palmas por fazer deste filme absolutamente contemporâneo com tudo de bom que isso pode ter. Todavia, numa análise crítica, é inegável que não atinge o equilíbrio perfeito do que veio antes, e depende mais, desta vez, do seu comprometimento com as questões do roteiro do que da aventura se desenrolando às explosões na sua frente.

Os incríveis 2 é um filmaço e o eu adulto de hoje achou cada uma de suas questões abordada de forma perspicaz e bela em muitos momentos. Não tenho certeza se o eu criança iria gostar tanto assim, mas isso fica para quem ainda é criança decidir. Tia Cremilda não vai deixar de levar o sobrinho dela para os cinemas por este texto e nem você deveria. O entretenimento de qualidade está lá e a gostosa sensação de saudade que tínhamos daquela família garante o espetáculo ao final. A matemática - e a sociedade -  pode até ter mudado, mas o resultado da Família Pêra chutando bundas na tela do cinema continua o mesmo: Diversão!

Coeficiente de Rendimento: 4/5


Comentários via Facebook

6 comentários:

  1. Oie!!

    Que máximo!! Depois de tantos anos, o segundo filme e eu doida para assistir.
    Primeiro post que vejo a respeito e deu para ver que há uma diferença entre o primeiro e o segundo, creio que vou gostarsim e muito.
    Adorei o post!!
    bjs
    Fernanda

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  2. Nossa!!! Eu sou um tanto péssima com datas e não tinha noção do tanto de tempo que já tinha passado desde o primeiro filme, que eu amei por sinal. Faz tanto tempo que estou me prometendo uma ida ao cinema que acho que vou desencalhar com Os Incríveis 2. Acho que mesmo o filme perdendo do fôlego em algumas partes como vc disse, no geral acho que vou gostar. Bjs

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  3. Aaaaaaaah! eu não tenho maturidade nenhuma para esses filmes! Amo demais! <3
    Eu era uma criança quando vi o primeiro filme... nem imaginava que fariam o 2º, mas fiquei muito feliz quando soube que gravariam o segundo filme. Amei!

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    1. SE não voltar a ser criança no cinema, nem fala mais comigo, Isa! hahaha

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