10 de nov de 2018
Por Hugo Vinicius

Crítica: Operação Overlord - Quando sai pra XBOX?



E pra PS4?

Operação Overlord foi o codinome da mega operação dos aliados durante a II Guerra Mundial, compondo uma mobilização militar nunca antes vista, que iniciou a invasão da Europa Ocidental e a retomada dos territórios ocupados pela Alemanha Nazista. O desembarque na praia da Normandia, na França (o popular Dia-D mostrado no clássico O Resgate do Soldado Ryan), fez parte deste comando de guerra e mudou para sempre a história do mundo. É justamente neste cenário de urgência e tensão que se desenrola a estranha trama do filme Operação Overlord (Overlord, no original. 2018), que chegou aos cinemas brasileiros no último dia 8/11 e que eu critico agora pelo oferecimento de um leitor como você que está lendo agora e também gosta desse trabalho. Vamos entender o filme e esta história de patrocínio agora. Vem comigo!

Dirigido pelo desconhecido diretor Julius Avery, Operação Overlord se vendeu com uma premissa muito intrigante: ser uma mescla de terror e suspense com filme de II Guerra. Boa parte de nós já ouviu falar das histórias de rituais ocultistas e experiências bizarras perpetradas pelos nazistas com seus presos durante a Guerra. Muitos filmes, livros e jogos exploraram muito bem estes mistérios ao longo dos anos e, por isso,  por si só, a proposta já despertava uma boa dose de curiosidade. Os trailers não diziam nada muito esclarecedor e não haviam grandes nomes no elenco que atraíssem o público médio aos cinemas exceto um: JJ Abrams (diretor de sucessos como Star Trek, Lost e Star Wars: O Despertar da Força). Abrams é um dos produtores do filme e o peso de seu nome foi o carro-chefe da produção do longa - ao ponto de eu ter ido assistir achando que o diretor era ele. Todavia, durante o filme, vemos que falta ao diretor de fato, Julius Avery, a experiência na condução de sua história que eu esperaria se a direção estivesse nas mãos de seu produtor.

Mas isso não quer dizer que o filme é ruim! A cena de abertura de Overlord é tensa e alucinante. O trabalho do protagonista Jovan Adepo (conhecido dos fãs da série The Leftovers da HBO) passa muito bem o seu absoluto pavor ali - e em todo o filme. Os seus companheiros de campo-de-batalha também são muitos bons em seus lugares no roteiro, tendo por exemplo o superior durão típico representado no Cabo Ford (que eu reconheci como o protagonista do episódio  "Palytest" de Back Mirror que tem um jogo de terror que usa seus próprios medo, sabe?) e o exímio atirador falastrão Tibbet (John Magaro, talvez o melhor personagem da produção). Na trama, a missão deles é destruir uma torre de controle para possibilitar que os aliados consigam desembarcar nas praias da França e a Guerra finalmente tome outros rumos. Neste objetivo, eles se deparam com um laboratório onde experiências muito estranhas estão sendo feitas com os moradores locais e o resto, devo me calar, é spoiler.

O que eu fico na dúvida entre enxergar como qualidade ou defeito é a oscilação entre a trama de II Guerra e o terror que se tenta fazer apoiado nos bizarros resultados dos experimentos feitos pelos Nazistas. Não há terror, não há medo. Mas por outro lado há muita tensão e senso de urgência, o que é ótimo. Toda história se desenrola com um cronômetro. Se eles não destruírem a torre, toda a Operação vai fracassar e milhões de soldados vão morrer. Mas o que eles descobriram ali foge de qualquer lógica e também não pode ser ignorado. E agora?

Pois eu digo que embora tenha gostado da mistura, o filme se comporta muito melhor como filme de guerra do que como filme de terror. A situações, criaturas e ambientes que os protagonistas se vêem a encarar lembram DEMAIS a dinâmica de um jogo de videogame a lá Silent Hill ou Resident Evil. O filme lembra tanto um jogo que chega a ter um "chefão" - que até é muito bom, nunca critiquei - interpretado pelo dinamarquês Pilou Asbæk (conhecido pelos fãs de Game of Thrones como Euron Greyjoy. Esse filme é um prato cheio para quem gosta de séries).

Operação Overlord possui bons personagens, uma ambientação legal e muito bem-feita e boas atuações. Mas a progressão de seus acontecimentos e mesmo a tensão que ele apresenta são, de certa forma, comuns e previsíveis. Embora ele seja muito competente em te divertir e te envolver na história - quanto um jogo - eu saio do cinema com a nítida sensação de que aquele enredo teria sido melhor adaptado se tivesse sido dado às grandes produtores de jogos e não às de cinema. Eu passaria facilmente horas tomando sustos e enfrentando monstros num cenário de segunda guerra, derrotando pequenos mestres de fase, descobrindo segredos do laboratório e super soros do mal. Assistiria feliz ótimas cut-scenes de guerra ou da criação das criaturas nojentas  - que o filme não tem medo de te mostrar e isso é um ótimo ponto - mas enquanto filme ele não é capaz de surpreender o espectador em quase nada - a cena final então, quando tudo vira um comercial de margarina depois de um clímax super tenso, é um banho de água fria.

Se você também curte esse trabalho e está interessado em ajudar, comente nesta crítica se estaria disposto a doar qualquer valor para nos ajudar a ver mais filmes, fazer mais textos e produzir mais coisas legais para você. Operação Overlord, apesar de tudo, foi um começo bem legal para esta história de patrocínio e mesmo entre erros e acertos, ainda garante uma diversão para quem gosta de filmes de Guerra e de produções que misturam ocultimo e nazismo como Hellboy ou Constantine. Deixa tia Cremilda em casa porque sangue e vísceras na sua cara não são poupadas, e diz aí se você concorda comigo ou não. Até a próxima!

Coeficiente de Rendimento: 3,0/5

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