22 de mar de 2019
Por Nathália Bastos

100 Dias na Terra/ Rúbia Alburquerque

Título: 100 Dias na Terra
Autora: Rúbia Alburquerque
Gênero: Ficção Científica/Romance/Cristã
Editora: UpBooks
Páginas: 220
Avaliação: 5/5💕
Sinopse: Calebe é um morador de Lundi que tem como missão passar 100 dias no Planeta Terra enquanto recolhe informações para um relatório sobre como os habitantes do Planeta Terra estão sendo afetados pela Grande Guerra - um conflito entre o bem e o mal que já dura milênios. Ao conseguir um trabalho como fotógrafo em um documentário, ele passa a maior parte do tempo viajando ao redor do mundo para contar histórias relacionadas a grandes tragédias. A equipe começa filmando no Brasil, conversando com parentes das vítimas de um grande acidente aéreo, depois Grécia, onde conhecerá histórias de refugiados e pessoas que procuram ajudá-los, Índia – país onde a cada 21 minutos uma mulher é estuprada, Indonésia, Malásia e Tailândia, países mais atingidos por um tsunami, Ruanda, com suas trágicas histórias do genocídio, França e suas marcas devido aos atentados terroristas e finalmente os Estados Unidos e as lembranças do 11 de setembro. Calebe chega aqui com uma visão própria de um observador distante, mas isso logo muda enquanto ele vivencia novos sentimentos e situações ao conviver com pessoas daqui - especialmente uma colega de trabalho, Maria Eduarda, ou Madú. Neste livro, ficção e realidade se misturam para trazer ao leitor não apenas momentos de entretenimento, mas também de reflexão em relação a si mesmo e o mundo em que vive.
*UpBooks é parceira do blog.

Num mundo tão destituído de de piedade, o amor é um sopro de compaixão que traz a única esperança para a sobrevivência de um especie condenada.
E começo dizendo: mano, que livrão é esse!!! Sério, primeiro por ser ficção científica, algo que venho amando e pegando o gosto desse gênero, e outro, é cristão. Rúbia fez algo inédito, não só fez uma ficção cientifica com princípios cristãos, mas com uma mistura de culturas, pensamentos diferentes, e um sentimento muito, mas muito intenso sobre as tragédias que ocorreu ao redor do mundo todo, e Calebe sente algo novo, inesperado, ele sente o que é ser humano e isso o muda toda a sua visão, dando-o um novo olhar sobre o Planeta Terra e seus viventes. 

Imagine você, que estudou e se dedicou para ser um astronauta, e quando recebe a oportunidade de viajar para fora do Planeta Terra, tudo que você leu e ouviu não chega nem perto do que você vivencia, e é isso que acontece com o Calebe, um jovem onde em seu planeta não existe o mal, só bondade, paz e harmonia, ele sabia que os humanos do Planeta Terra eram maldosos, destruidores, mas, ao passar um tempo com eles, Calebe descobre novos sentidos, pode haver o mal sim, mas ainda existe aqueles que lutam por paz, harmonia e amor. 

Sua missão na Terra é relatar tudo sobre os seres humanos, e nada melhor do que fazer isso trabalhando como fotógrafo em uma equipe de cinema, onde irão viajar por vários países e isso permite a Calebe conhecer mais sobre o mundo e as pessoas. Seu trabalho e fotografar todo o documentário sobre como as pessoas passaram por tragédias e conseguiram sobreviver e sobre como os familiares superaram as perdas de seus entes queridos. Essas destruições deixaram feridas internas nos humanos, mas, diante de toda dor e tristeza que Calebe já esperava ver, sua surpresa é perceber o quanto esses humanos conseguem dar a volta por cima, perdoando quem o fez mal, reconstruindo a vida com paz e amor, mas, ao mesmo tempo, ele se pergunta o porquê desses seres humanos querer cometer tamanha maldade assim. 

Deixar-se levar pelo passado é uma das maneiras de envolver os pensamentos e sentimentos numa dor profunda e sem sentido.

E não posso deixar de falar da Madú, uma jovem cheia de sonhos e energia e que adora uma boa aventura, acaba por entrar de forma mais inesperada na vida de Calebe fazendo o sentir borboletas no estômago, mas, ao mesmo tempo, uma tristeza, pois sabe que um dia teria que voltar para casa e com isso não podia se deixar levar por esse sentimento, mas, a amizade que nasce entre eles faz Madú conhecer mais sobre o Criador, e a medida que o vai conhecendo, ela vai se abrindo e se permitindo ser curada. Madú carrega uma ferida muito grande dentro de si, algo que aconteceu em sua infância e isso o fez ficar longe de sua família e principalmente de Deus, Calebe é uma benção na vida dela, pois além de compreender a sua dor, o ajuda, sem forçar, e claro, tem um romance, mas, não vou falar mais nada aqui ok (sorry).

O que eu sei é que você entrou na minha vida de um jeito diferente e especial, e que a ideia de você não estar ao meu lado em todos os anos que ainda virão simplesmente é vazia e sem sentido.

Cada personagem nesse livro tem uma missão, e cada um deles tem uma história de fé e crença diferente, e é isso que o livro mostra, as diferença das culturas e crenças, e no fundo, todos eles falam de amor, esperança e paz. As viagens relatas são intensas, relando os acontecimentos e os sentimentos dos familiares que perderam seus entes queridos e como eles conseguiram seguir em frente em meio as dores, e claro, não posso deixar de dizer o quanto isso mexe com nós, leitores. 

Enredo muito bem fluido e emocionante, chorei em algumas partes, afinal é impossível não se emocionar e chorar. Como disse no início, Rúbia conseguiu fazer uma mistura inédita, mas ela nos mostra como vencer em meio a dor e perda, como não se deixar levar pelo desejo de vingança, não é fácil perder tudo e não sentir raiva, seja de quem for, mas se deixar que o amor e o perdão brote, tudo muda para melhor. 

Pode ser um livro com princípios cristãos, mas recomendo a todos que amam uma boa ficção cientifica, já deixo claro aqui que ele não é um livro religioso, e nele você encontrará um pouco não só sobre outras culturas, mas sobre outras crenças e fé. 

E deixo por último esse quote que mais me marcou: 

Fico em silêncio, observando e esperando sua resposta. Ele olha para mim e de repente alguma coisa acontece. Não consigo acreditar em meus olhos e ele me diz:
 –Eu pedi ao Eterno que Ele abrisse os seus olhos, para que você visse o que eu vejo. 
Olho ao redor do parque e não vejo apenas pessoas apressadas ou casais namorando na grama. Ao lado do senhor de óculos que alimenta pássaros saltitantes, eu vejo dois anjos de luz, com uma expressão suave. Uma criança brinca longe dos olhares da mãe e um anjo permanece atento a todos os seus movimentos. Um homem vocifera ao celular e ao lado dele há uma nuvem negra, que me parece ser de anjos caídos. Uma mulher caminha, talvez para o seu trabalho, cercada de três anjos de luz. E assim eu continuo a olhar, maravilhado e atônito. Por último, ao meu lado, dois anjos sorriem para mim. Durante todos esses anos em que olhei de longe para o Planeta Terra, nunca tinha visto esta cena tão extraordinária.



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