13 de mar de 2019
Por Hugo Vinicius Pereira

Crítica: Capitã Marvel - Rápido, mas nem tão alto e nem tão longe


De onde eu venho o nome disso é Super Sayajin!
“Mais alto, mais longe, mais rápido”, diz o slogan oficial do novo e arrebatador sucesso do Marvel Studios nos cinemas. Mas “mais alto, longe e rápido” do que o quê exatamente? Do que os outros filmes do estúdio? Do que os outros heróis? Do que os homens? Nosso papo de hoje – sem spoiler nenhum, relaxa -  é sobre esse filme que todo mundo está correndo pra ver - Tia Cremilda já viu duas vezes -  e que certamente decolou desde sua estréia – só não sei se tão alto, tão longe ou tão rápido assim... Vem comigo que no Hype ou no Hate, o assunto agora é Capitã Marvel (Captain Marvel, no original. 2019)!

Dirigido pela dupla de diretores discretos Anna Boden e Ryan Fleck (responsáveis pelo bonitinho “Se Enlouquecer, não se apaixone” de 2010) Capitã Marvel se propõe a ser uma saga de auto-afirmação e empoderamento – não necessariamente feminino -  e discursa o tempo todo sobre acreditar no próprio potencial e superar seus medos e inseguranças – uma mensagem sem gênero, idade ou etnia. A dupla tem experiência em assuntos assim. São as mentes por trás de muitos episódios de séries de sucesso como Looking (da HBO, sobre relacionamentos homossexuais), The Big C (da Showtime, sobre câncer) e da versão americana do sucesso Em Terapia (envolvendo questões num sentido mais amplo do termo). Dado o currículo, é sabido que há ali um esforço claro de fazer da protagonista Carol Danvers um ícone de força e independência feminina, consagrando uma heroína extremamente poderosa e dona de si, representante de uma resiliência, coragem e heroísmo que são, de fato, inspiradores.

Porém, mesmo tendo uma ação corpo-a-corpo bem competente, uma história interessante o suficiente e alguns personagens carismáticos, Capitã Marvel falha em nos envolver com sua trama e deixa uma sensação de “é bom, mas pode melhorar” um pouco incômoda - sobretudo depois da gente já estar vendo filmes da Marvel há 10 anos. Qualquer coisa menos do que “ótimo” acaba sendo decepcionante.

A atriz Brie Larson (que ganhou o Oscar por “O quarto de Jack” em 2015) tem claras dificuldades de encontrar o tom de sua personagem e dificulta ainda mais um envolvimento emocional com o espectador. No extremo oposto temos Ben Mendelson como o vilão Talos, extremamente carismático, mas colocado em algumas situações constrangedoras por um roteiro que dosa mal seus momentos de comédia e emoção, e gera cenas que simplesmente deveriam ser melhores. A opção por uma edição com uma linha do tempo confusa – como a própria mente da heroína – até é interessante em alguns momentos, mas na maior parte do tempo mais confunde do que serve ao seu propósito.

Não me entendam mal. Capitã Marvel diverte, Samuel L. Jackson é um ótimo jovem Nick Fury e o gato “goose” dá carisma à história. Do mesmo modo, as atuações de Jude Law (como Ion-Rogg) e Annete Bening (que não posso falar quem é por causa dos spoilers) agregam e o saldo não é negativo. Mesmo assim, podemos dizer que Capitã Marvel até voa mais rápido mesmo, pois consegue apresentar uma heroína que ninguém conhecia até então com competência a tempo de deixá-la no ponto para ser um diferencial na revanche contra Thanos que todos esperamos em Vigandores: Ultimado muito em breve; mas se vai mais alto e mais longe do que o que já estamos mais do que acostumados a ver no cinema de heróis, aí eu vou ter que discordar.

Coeficiente de Rendimento: 3,0/5

Comentários via Facebook

1 comentários:

  1. Olá Hugo!!!
    Eu ainda não vi o filme de Capitã Marvel, mas já vi inúmeras críticas acerca do mesmo e as pessoas realmente esperavam muito do filme e ele não chegou a ser isso tudo que esperavam.
    Pessoal realmente gostou muito do Nick nesse filme e do gato da Capitã, mas em relação a atriz disseram realmente que a mesma ainda está buscando o tom de sua personagem.
    Espero que ao menos em Vingadores a mesma tenha se encontrado.

    lereliterario.blogspot.com

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