10 de jun de 2017
Por Lizi Reis

Laços de Família / Clarice Lispector

Título: Laços de Família
Autora: Clarice Lispector
Gênero: Contos
Editora: Rocco
Páginas: 136
Avaliação: 2/5
Sinopse: Uma escritora decidida a desvendar as profundezas da alma. Essa é Clarice Lispector, que escolheu a literatura como bússola em sua busca pela essência humana. Sua tentativa de transcender o cotidiano revela-se em personagens na iminência de um milagre, uma explosão ou uma singela descoberta. Todos suscetíveis aos acontecimentos do dia a dia. Vidas que se perdem e se encontram em labirintos formados por uma linguagem única, meticulosamente estruturada. E é por essa linguagem que Clarice Lispector constrói uma obra de caráter tão profundo quanto universal.

Ela amava o mundo, amava o que fora criado — amava com nojo.

Então, hoje quero trazer para vocês uma daquelas da série "quer um resumo do resumo", haha. Então aqui vai uma resenha rápida e direta sobre Laços de Família:
          
          Meu primeiro contato com a tão aclamada Clarice Lispector não foi um dos melhores. Em suma, não gostei dos contos contidos nesse livro. Apesar de, claro, podermos tirar alguns pontos importantes em alguns deles, como por exemplo no conto Amor, onde já tive a oportunidade de sentir as mesmas coisas que Ana sentiu, a questão de amar o mundo, mas amar com nojo; 

             O conto Uma Galinha, não sei onde e nem quando, mas já li (talvez Enem ou alguma prova no ensino médio, ou até fundamental), mas traz a questão de sermos descartáveis, de valermos o que temos, pelo menos ao meu ver, foi essa a mensagem que consegui captar; 

Cada vez mais a grande fingida se tornava inteligente. Aprendera a pensar.

              No conto A Imitação da Rosa não entendi se o marido a traia, se o marido tinha medo dela ou se ela tinha medo dele, ou sei lá o quê, o que entendi é que Laura achava que para viver era necessário estar cansada o tempo todo; 

E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor.

           No conto Feliz Aniversário, desse eu gostei... mostra como tratamos os idosos como incapazes, "crianças", e também as relações familiares que com o passar do tempo, com os casamentos, filhos e tudo mais, acabam por se distanciar, se tornar como desconhecidos, e também como sempre cai sobre uma pessoa a responsabilidade de cuidar da "mãe", retratada no conto (isso ocorre na minha família, e creio que em outras várias); 

Era um instante que pedia para ser vivo. Mas que era morto.

              No conto A Menor Mulher do Mundo, consegui apenas observar o preconceito, a indiferença frente ao problema dos outros, o amor (estranho amor) e a felicidade pura da Pequena Flor; 

Mas onde, onde encontrar o animal que lhe ensinasse a ter o seu próprio ódio? o ódio que lhe pertencia por direito mas que em dor ela não alcançava? onde aprender a odiar para não morrer de amor? E com quem?

           No conto O Jantar só gostei porque já vi várias pessoas comendo daquele jeito em restaurantes, haha; 

Não ser devorado é o sentimento mais perfeito. Não ser devorado é o objetivo secreto de toda uma vida.

            No conto Preciosidade (Para Mafalda), o qual também gostei e não consigo explicar o porquê; 

Quando me traíram ou assassinaram, quando alguém foi embora para sempre, ou perdi o que de melhor me restava, ou quando soube que vou morrer eu não como. Não sou ainda esta potência, esta construção, esta ruína. Empurro o prato, rejeito a carne e seu sangue.

          No conto Os Laços de Família, achei tudo muito chato, talvez apenas se salve a relação estranha entre a mãe e filha, e que acaba por te fazer pensar nos seus relacionamentos com os familiares; 

Por acaso alguém veria, naquela mínima ponta de surpresa que havia no fundo de seus olhos, alguém veria nesse mínimo ponto ofendido a falta dos filhos que ela nunca tivera?

        No conto Começos de Fortuna só me fez pensar na minha situação financeira, haha, mas também como o dinheiro é tão endeusado; 

'E então', pensou com uma pequena cólera, 'e então, pelo visto, logo que alguém tem dinheiro aparecem os outros querendo aplicá-lo, explicando como se perde dinheiro.'

         O conto Mistério em São Cristóvão: chato; 

Eu fremia de horror, quando eras tu o inocente: que eu me virasse e de repente te mostrasse meu rosto verdadeiro, e eriçado, atingido, erguer-te-ias até a porta ferido para sempre. Oh, eras todos os dias um cão que se podia abandonar. Podia-se escolher. Mas tu, confiante, abanavas o rabo.

        No conto O Crime do Professor de Matemática, achei lindinho o relacionamento de José com seu dono, de como Clarice mostrou um amor entre os dois; 

Às vezes, tocado pela tua acuidade, eu conseguia ver em ti a tua própria angústia.

             E no último, Búfalo... WHAT?

Desculpem-me os amantes de Clarice, mas prometo ler A Hora da Estrela, o qual ouvi falar muito bem \o/ Beijinhos *-*

Comentários via Facebook

0 comentários:

Postar um comentário

Veja os antigos!

© Biblioteca Lecture • Desenvolvimento com por