1 de jun de 2017
Por Lizi Reis

Primeiras Impressões/ A Caixa de Pandora - Juliana França Soares


Título: A Caixa de Pandora
Autora: Juliana França Soares
Editora: Independente
Gênero: Terror/Fantasia
Avaliação: 4/5
Sinopse: A caixa de Pandora é uma expressão utilizada quando se quer fazer referência a algo que gera curiosidade, mas que é melhor não ser revelado ou estudado, sob pena de se vir a mostrar algo terrível, que possa fugir de controle. O famoso cientista, Dr. Hills, envolvido na fabricação de vacinas capazes de curar e inibir os resistentes vírus transmitidos pelo mosquito Aedes Aegypti, descobre as irregularidades cometidas pelos financiadores do Projeto PANDORA e tenta alertar as autoridades, entretanto, tarde demais tornando-se o principal suspeito de criação ilegal de armas biológicas e associação ao terrorismo. Aidan Scott, preocupado com o futuro e a segurança de sua esposa e de sua pequena filha, Liesel, teme que o pior aconteça diante da verdadeira natureza da criação. No entanto, a epidemia se espalha pelo mundo contaminando e dizimando parte da população terrestre. Quinze anos depois aqueles que não foram contaminados tentam sobreviver à infestação de mortos-vivos que se propagou por todo o planeta.  Aidan tornou-se um homem frio e calculista que recebe uma missão um tanto inusitada e suicida com a chegada de três desconhecidos em sua Comunidade. Norah, a líder do grupo misterioso, propõe um acordo prometendo à Aidan algo que ele tanto carece em troca da ajuda que ela necessita. Nessa jornada, Aidan terá que descobrir uma maneira de se reconectar com a seu antigo Eu ao esbarrar com sobreviventes da catástrofe nem sempre tão amigáveis, aprendendo nas demonstrações fé de Norah que ao contrário do que ele acredita, Deus não os havia abandonado. Todavia, Aidan se verá de frente com a maior indecisão de sua vida: Abrir mão da mulher que ama ou se redimir salvando a raça humana, garantindo a segurança permanente de sua família e comunidade?


E vem chegando mais Primeiras Impressões... O assunto dessa vez é sobre um livro que muito me impressionou pelo inteligente enredo: A caixa de Pandora por Juliana França. De início até pensei: "ah, é apenas mais uma história clichê sobre zumbis, aqueles famosos devoradores de carne humana." A história é contada a partir da visão de alguns personagens, a começar pelo Dr. Hills. Gostei da forma bem detalhada que a história foi escrita, me fez viajar nos ataques dos zumbis e chegou a me dar frio na espinha em certos momentos (e olha que isso é difícil de acontecer, hein!). 



No início em que você decide ser livre para fazer suas próprias escolhas, escolhe tornar-se prisioneiro das consequências.

        No início percebemos que há dois tipos de zumbis, os chamados caçadores, termo utilizado para o primeiro estágio da infecção, onde a consciência humana está parcialmente afetada pelo vírus, e que são os zumbis mais lentos e mais fáceis de distrair, mas que em bando fazem um estrago!! E o outro tipo de zumbi são os corredores, que é o estágio 2, e pelo nome vocês já devem imaginar, né? Viu um... Corre! Alguns momentos da história, como por exemplo a explicação de como seria ser mordido por um zumbi e essa ser a sua morte, e a cena em que um dos personagens mata um zumbi com as próprias mãos por meio de estrangulamento e dilaceração são fantasticamente escritas!! A utilização de xingamentos (porra, cacete, merda), falas de criança (pô favô), e palavras engraçadas (pirralha, mancada, aff, tão) e frases como "deixe de ser gay, cara" em momentos curtos de diversão em meio ao caos trazem um brilho (aquele tcham) para a história! E como não ficar curiosa sobre quem são "Os Pandoras" citados logo no prólogo?

Era bonito de se ver, algo que foi destruído se regenerando, enfeitando o que é feio, mas não vejo beleza alguma quando sei que tudo isso é às custas da devastação humana.


          Depois passamos pela narrativa a partir da visão de Aidan, marido dedicado que está com sua esposa infectada pelo vírus da Dengue, e que ama sua filha Liesel, uma menininha esperta de 5 anos e meio. Ele e sua família se mudaram dos EUA para o Brasil, onde ele começou a frequentar a Escola de Cursos Técnicos onde dá aulas como professor eventual (melhor chamar de substituto, sejamos francos) de Biologia Humana e Orgânica, na corporativa Medi-Pharmacy, corporativa essa que criou uma vacina para erradicar as doenças trazidas pelo Aedes Aegypti (Zika, Dengue e Chikungunya) e que lá na frente descobri que foi o que causou a pandemia (zumbis por todo o mundo), a vacina fazia com que a pessoa se sentisse muito bem e "curada", mas logo em seguida aparecem sinais como uma agressividade anormal, hemorragias, etc. A história toda muda quando Aidan é atacado por seu vizinho Mario, que até então tinha tomado a vacina e até iria fazer uma festa para comemorar. A cena da luta entre Aidan e o troço de olhos negros (que uma vez foram azuis) é fascinante: imagine você segurando um cabo afiado de uma vassoura (que você mesmo quebrou, ok?) e pedindo para alguém se afastar, pois você não quer machucá-lo, e ele simplesmente "enfia em si mesmo" o cabo que você estava segurando, é tipo "WHAT?". E esse momento me fez pensar quão grande é a força humana na hora da adrenalina. Você consegue imaginar enfiar um cabo no cérebro de alguém que foi gentil e hospitaleiro com você? Que passou de um total desconhecido para um amigo, como Aidan e Mário?

Os homens pensam que poder é se impor dos mais fracos. Mas, lembre-se filho: aquele que tirar vantagem da fraqueza do outro, será sempre o mais miserável da história. Depois que você tira a vida de alguém pela primeira vez, não importa o quão inocente você seja, se passará anos e aquele sangue derramado estará sempre em suas mãos te lembrando do monstro que permaneceu adormecido por anos, e despertou naquele momento. Ele nunca mais retorna para a caixa. E o mal é liberto.

          Temos também as anotações do Dr. Hills, muito inteligentes! Onde encontramos as explicações para a pandemia, e fatos que estão acontecendo nos dias de hoje (!!!), como os machos estéreis. E a explicação sobre o que deu errado e o que fez os mosquitos começarem a se reproduzir 3x mais rápido.

Será que o egoísmo humano era apenas um reflexo do seu próprio?

          E agora passamos para Norah, a aniversariante de 13 anos, que tem o aniversário mais sombrio de todos, quando se encontra dentro do carro com seu pai, o Sr. Vidal, sua irmã Brianna e o seu cunhado, noivo de Brianna, Ian. E, sem saber, eles se encontram no meio do caos em um enorme engarrafamento. E imaginem... carros, tiros, helicópteros, engarrafamento, zumbis comendo a galera, ou seja, caos total! E pobre Norah, já tinha passado por um trauma na infância por conta da morte precoce de sua mãe, e entramos aqui também numa indagação sobre Deus e fé...


Deus não nos abandonou...

          Interessante ver como a pandemia foi confundida com várias outras doenças, como ebola, raiva, H1N1 e toxoplasmose. Muito interessante (desculpem o uso da palavra) imaginar a Rainha e a neta/nora Princesa Kate Willians doentes! O envolvimento das Forças Armadas Brasileiras, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e os Black Hawks (Comando de Aviação do Exército Brasileiro) enriqueceu a história. Juliana acertou em cheio em fugir do clichê Americano e colocar um apocalipse zumbi acontecendo aqui no Brasil e ainda mais relacionado com o Aedes Aegypti! Confesso que Juliana ganhou meu coração ao mencionar Resident Evil e The Walking Dead *-*

[...] e nenhuma guerra incia-se do nada. A guerra parte de um erro. Começa por uma simples e inofensiva fagulha na alma do ser humano, tão pequena que não é possível enxergá-la até ser tarde demais, um erro em sua criação, um desejo mal alimentado. Pessoas assim, que possuem defeitos semelhantes de caráter, se atraem e ambas desejam que todos compartilhem desse interesse. Mostrar ao mundo seu ponto de vista retorcido... Ou melhor, obrigar o restante de nós a enxergar da maneira que enxergam. um parasita atrai o outro, formando seu exército.

         
         E o que deixou a desejar já que não dei 5 estrelas? A necessidade de revisão, em questões ortográficas, pontuação, utilização de pleonasmos (redundâncias), erros em questões de concordância nominal e verbal (sim, sou chata).









Sobre a autora:


         Juliana França, 21 anos, paulistana, filha mais velha entre quatro irmãos homens, encontrou nos livros a companha perfeita. Apaixonada pela literatura desde que aprendeu a ler aos sete anos, se tornar escritora passou a ser o sonho de infância que percutiu na vida adulta. Escreveu sua primeira história aos nove anos onde ganhou seu primeiro prêmio escolar. Com o hábito de escrever em diários, expressa na escrita tudo aquilo que não consegue dizer em voz alta. 

        A caixa de Pandora é seu terceiro livro escrito, inspirada em sua paixão por histórias de terror, principalmente com zumbis.

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