3 de mai de 2018
Por Hugo Vinicius

Vingadores: Emoções Infinitas


É muito difícil, mesmo para o mais frio dos críticos, analisar "Vingadores: Guerra Infinita" (2018) isoladamente. Como nerd e cinéfilo, posso dizer que tenho um prazer enorme em inaugurar minha participação por aqui podendo falar para vocês sobre um acontecimento como este. Já se passou uma semana da estréia (26/04) e você provavelmente já viu o filme, mas se não viu pode ficar tranquilo. Eu jamais seria a pessoa responsável por contar qualquer coisa que possa estragar sua experiência. Você não merece isso. Este texto é livre de spoilers, mas carregado de sentimento.

Lançado agora, mas sendo preparado desde 2008, Infinity War (no original) é o simbolo máximo da maturidade dos filmes do Marvel Studios (que já havíamos sentido ainda agora com o excelente "Pantera Negra"). Desde "Homem de Ferro" (2008) a produtora vem lapidando uma fórmula própria para fazer seus filmes de modo que fossem agradáveis para todo mundo, fosse o nerd raiz, o garotinho de 5 anos ou sua Tia Cremilda

Pois é em Guerra Infinita que a Marvel mostra que aprendeu e muito com todos os seus erros, entendeu completamente seus personagens, seus poderes e a força de cada um junto aos fãs. Cada herói em cena tem um momento para chamar de seu (até o fã daquele mais secundário vai sair com um bom print para transformar em wallpaper de computador). O Thanos de Josh Brolin (impecável), vilão deste filme e protagonista absoluto de todo o longa inspira ao mesmo tempo terror e admiração de forma brilhante.

Se tivesse de destacar um exemplo dessa maturidade, certamente seria o tratamento que teve uma certa divindade nórdica. Sua jornada ao longo destes 10 anos ilustra com maestria tudo que este filme representa. Thor já foi pretensioso demais ("Thor", 2010), tentou ser sombrio demais ("Thor: O mundo sombrio", 2014) e até engraçadinho demais ("Thor: Ragnarok", 2017), mas é aqui que o talento de Chris Hemsworth brilha na tela ao fazer dele um herói que entende o próprio papel nesse universo. Thor sofreu perdas, e ainda que tente escondê-las, só se torna capaz de fazer o que é preciso ao aceitá-las. Assim como o deus do trovão, a Marvel reconhece as próprias falhas e finalmente alcança um potencial nunca visto antes (e bota potencial nisso!).

Se eu tinha lá meus 14 anos conhecendo e aprendendo a amar o Tony Stark de Robert Downey jr. e ria com ele, hoje, vendo o filme cansado depois de um dia de trabalho, eu sofri junto com ele as consequências de suas escolhas. Nossa geração cresceu, a Marvel percebeu isso e tratou de crescer junto. Não me atrevo a dizer se é o melhor filme de super-heróis (tendo a achar que não), nem mesmo sei se é o melhor da Marvel (é cedo ainda), mas não consigo parar de pensar que talvez (talvez!) seja sim o filme que melhor transportou para as telas a sensação de estar lendo uma (ótima) revista em quadrinhos. 

"Vingadores: Guerra Infinita" é intenso em todas as suas emoções. Sua longa duração quase não é sentida e de tamanha a gravidade de algumas escolhas no filme, o choro no fim é inevitável. Não se engane, ainda é um filme da Marvel. Você vai rir e muito (nos momentos cirurgicamente corretos). Mas o fã que levou 10 anos construindo uma relação com aqueles personagens não vai conseguir evitar a sensação de ter sido atropelado por um caminhão ao final. Tudo muda daqui para frente, e este futuro incerto não poderia ser mais coisa de quadrinhos... até a próxima edição é, claro.

Coeficiente de Rendimento: 4,5/5

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1 comentários:

  1. Eu realmente gostei desse filme! Acertadamente Thanos (Josh Brolin, do óptimo Filme Homens De Coragem ) é a grande estrela desse filme, tanto que é alardeado de que ele que retornará, não os Vingadores. Ao lado de Killmonger, que sem dúvidas ele é o melhor vilão da Marvel. Thanos é extremamente bem construído e muito bem feito em CGI, suas motivações fazem sentido e trazem um inesperável carisma e humanidade ao vilão. Acreditamos que o que ele faz não é bom, mas é necessário para ELE e entendemos o porquê. Claro que não significa que ficaremos ao lado dele. Não. Ele é um porco genocida e egocêntrico que sai pelo Universo exterminando metade da população dos planetas sendo uma espécie de Deus em uma missão digna, mas é uma ideia de equilíbrio que, de uma maneira ou outra (descontada a sede pelo poder), acaba se tornando compreensível ao conseguirmos identificar perfeitamente a sua motivação traçando um paralelo com o mundo real. Principalmente se formos comparar com os dois filmes que serviram de prelúdio a este, Thor: Ragnarok e Pantera Negra, que introduziram certas ideias de moral torta.

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