14 de jun de 2018
Por Hugo Vinicius

Crítica: TOC TOC

Elenco completo com Tia Cremilda à esquerda
Eu podia estar matando e roubando, mas como é crime eu prefiro vir aqui na quinta-feira dar para vocês alguma opinião que vocês não pediram e eu vou dar mesmo assim. Pois é, e hoje eu escolhi resenhar um filmezinho muito do divertido que foi adicionado recentemente no catálogo da namorada de todos nós e que atende pelo nome de Netflix. O filme em questão é uma comédia espanhola, de roteiro simples e ágil, sobre pessoas que sofrem de diferentes tipos de Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOCs) sem cair no desrespeito e conseguindo arrancar boas risadas no processo. O filme de hoje é TOC TOC (2017 de Vicente Villanueva). Desce a crítica!

Eu fui apresentado a TOC TOC depois que duas pessoas de círculos de amizade diferentes vieram me recomendá-lo usando adjetivos como sensacional e fantástico. Eu já posso começar dizendo para vocês que não é nem sensacional nem fantástico, mas merece sim a recomendação sincera dos amigos e eu entendi o motivo de suas empolgações quando terminei de assistir. Mesmo discordando do que ouvi inicialmente, encontrei nos comentários dos usuários da própria Netflix uma definição que se encaixou como uma luva no que é TOC TOC: "O típico filminho que na verdade é um filmão" e é bem isso mesmo.

De produção espanhola e sem rostos conhecidos por nós por aqui, o filme conta as desventuras de 6 estranhos forçados a conviver na sala de espera de um psiquiatra famoso, após um erro no sistema ter agendado todos para o mesmo horário e o dito médico não chegar nunca. Como haveria de ser, cada um deles possui algum tipo de transtorno e disso emergirão todas as situações cômicas da trama. Há, por exemplo, o acumulador com mania de calcular tudo, a germofóbica e o impagável senhor com Síndrome de Tourett sempre disposto a gritar obscenidades involuntariamente. 

A direção do longa não é nem um pouco inspirada. Eu diria que ela é quase televisiva, apenas cumprindo seu papel de mover a história para frente. Posso dizer o mesmo de aspectos como trilha sonora, fotografia e roteiro - previsível, devo dizer. Principalmente o final. O praticamente único cenário do filme é a sala de espera do místico Dr. Palomino, não negando a origem da história que foi concebida como uma peça de teatro escrita pelo dramaturgo Laurent Baffie - e dona de um tremendo sucesso de público e crítica na Espanha. Entretanto, sem dúvidas toda a inspiração que falta em aspectos técnicos, transborda nas atuações. Todos os atores são carismáticos à sua maneira e nos passam com muita verdade e bom humor as dificuldades que lhes são impostas por seus transtornos.

Eu temia que fazer rir às custas das enfermidades  - que são reais - daqueles personagens poderia sair do tom e cair no mau gosto e na zombaria pura, mas o que vi foi o contrário. O enredo não surpreende, mas acerta em cheio ao dar vida a pessoas quase totalmente verossímeis - embora sim exagere nas caricaturas. Nenhum deles é amargurado ou incapaz por suas limitações. Cada um sabe conviver com suas compulsões e têm seus empregos, vidas e relacionamentos. Neste ponto, e sobretudo nas conclusões alcançadas no fim, o filme diverte ao mesmo tempo em que informa e passa uma mensagem poderosa às pessoas com aquele tipo de doença e a nós que normalmente não entendemos muito bem do que elas se tratam.

Voltando-me novamente para a atuação, eu destacaria negativamente apenas o personagem que não pisa em linhas vivido por Adrián Lastra - caricato demais - e a repetidora compulsiva da linda atriz Nuria Herrero - a menos interessante dos 6. Quanto aos demais, me arrancaram as risadas mais sinceras num filme em bastante tempo e a trinca formada pelo brilhante Oscar Martínez - com síndrome de Tourett -, a incrível Alejandra Jiménez - capaz de passar muito apenas com os os olhos e suas expressões - e o verborrágico Paco León - de um carisma arrebatador - é afinada. Há ainda a compulsiva Rossy de Palma que não está tão bem quanto os outros, mas é a que mais se aproxima do que costumamos ouvir falar sobre TOC por aí - e só está mencionada aqui porque, para o meu espanto, se parece muito com a nossa Tia Cremilda. Se quer conhecê-la, veja o filme.

Com a duração singela de só 90 minutinhos, TOC TOC é o perfeito "feel good movie". Você vai rir muito, se envolver com os jeitos e histórias daqueles 6 estranhos e no fim sairá com aquele sorrisinho no rosto de gente que vê o copo meio cheio ao invés de meio vazio. Vale a pena assistir num fim de tarde ou noite na sua conta da netflix - ou da do corno que paga todo mês e te deu a senha porque é ingênuo demais e você "só queria ver braking bad". De coração aquecido e alma leve depois desse filme, boa quinta-sim pra todo mundo e hasta la vista.

Coeficiente de Rendimento: 3/5

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