10 de jun de 2018
Por Mariana Ferrari

Orgulho e Preconceito / Jane Austen




Título: Orgulho e Preconceito
Autor: Jane Austen
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 400
Gênero: Romance
Sinopse:“É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.”
É com essas palavras que Jane Austen inicia Orgulho e preconceito, conduzindo o leitor diretamente ao lar dos Bennet, família com não menos que cinco noivas em potencial: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. Quando o sr. Bingley e o sr. Darcy, dois jovens distintos, chegam a Hert­fordshire, todas ficam em alerta: eles são solteiros, bonitos e, claro, donos de uma boa fortuna. O que poderia ser uma típica história de amor é, nas mãos de uma das escritoras de língua inglesa mais difundidas pelo mundo, um espetáculo de grandes personagens e diálogos sagazes, com um timing perfeito para a ironia. Jane Austen desafiou as convenções sociais ao criticá-las pelas entrelinhas, pontuando seus livros com toques de humor que só uma observadora perspicaz e uma brilhante escritora poderia unir. Suas histórias, passadas na Inglaterra da virada do século XVIII para o XIX, falam para os leitores de todas as épocas. Segundo o crítico Harold Bloom, os livros de Jane Austen passarão para a posteridade juntamente com os clássicos de William Shakespea­re e de Charles Dickens.


Romance unido com críticas sarcásticas e irônicas? É isso mesmo! Jane Austen consegue mesclar tudo isso de forma bárbara nesse (e em outros) romance (s). O livro se inicia contando sobre a chegada de Mr Bingley em Netherfield Park e explicando a família Bennet.

A família Bennet é composta pelo Mr e pela Mrs Bennet e suas filhas: Jane, Lizzie, Mary, Kitty e Lydia e durante todo o romance, podemos vivenciar a vontade de Mrs Bennet de casar suas 5 filhas com homens ricos, de muitas posses, de famílias distintas e famosas na sociedade. Mr Bennet, ao contrário de sua esposa, não possui a mesma visão, se importando muito mais com os sentimentos de suas filhas e não prezando tanto pela origem social das famílias dos rapazes...

A chegada de Sr Bingley e Sr. Darcy marca o início da história. Mr Bingley é um homem dócil, bonito, generoso e brincalhão. Ao contrário do amigo, Mr Darcy é bonito, alto, inteligente, mas é socialmente mais reservado e por muitas vezes é tido como orgulhoso.

Ao longo do romance, Jane Austen retrata uma nova forma de abordar o amor, deixando de lado as versões românticas e colocando foco numa visão mais realista, criticando a sociedade do século XVIII, principalmente ao expor ao ridículo as características daquela época: casamento sem amor, visando somente os dotes e as relações sociais obrigatórias.

Lizzie, a personagem principal, durante todo o livro se incomoda com esses tipos de relações e faz algumas críticas relacionadas a questões como educação, cultura, moral e casamento. 
São poucas as pessoas de quem eu gosto realmente e mais restrito ainda o número daquelas de quem faço um bom juízo. Quanto mais eu conheço o mundo, maior é o meu descontentamento por ele; e cada dia confirma a minha crença na inconsistência de todos os caracteres humanos e na pouca confiança suscetível de ser depositada na aparência tanto no mérito quanto do bom senso.
O mais interessante durante a leitura é a construção dos personagens e as diferenças entre eles. Jane Austen consegue mesclar e criticar diferentes personalidades: Jane, é muito carinhosa e não vê maldade nas pessoas, Lizzie, por sua vez, é orgulhosa, teimosa e muitas vezes julga pela primeira impressão. Suas irmãs, Mary, Lydia e Kitty são figuras secundárias, mas que ainda sim possuem traços relevantes para a crítica, sendo muitas vezes insensatas e preocupadas somente em namorar e arrumar oficiais para se casarem.

Os pais das meninas não poderiam contrastar mais: Mr Bennet, um culto e inteligente cavalheiro, não aceita a frivolidade da esposa e das filhas mais novas. Mrs Bennet, por sua vez, se preocupa apenas com as aparências de sua família perante à sociedade, e não se questiona/preocupa com o bem estar real de sua família. Por ser frívola, muitas vezes suas atitudes em público são motivos de vergonha para a família em geral. 
_ O noivado entre eles é de natureza especial. Desde a infância, foram destinados um para o outro. Era esse o maior desejo da mãe dele, bem como o meu. Planejamos a união, quando eles ainda estavam no berço.; e agora, quando o desejo de ambas as irmãs poderia ser realizado, uma moça de classe inferior. sem qualquer renome na sociedade e totalmente estranha à família, ousa interpor-se entre eles! Não tem nenhuma consideração pelos anseios da família dele? Será que é totalmente destituída do sentimento da propriedade e da delicadeza? Não me ouviu dizer que desde seu nascimento ele foi destinado à prima?
No desenrolar da história, é nítido o crescimento e amadurecimento de Lizzie e Jane, as irmãs principais, que a princípio se desapontam com o amor e passam algum tempo discorrendo e debatendo sobre a importância dos sentimentos para construção de um casamento feliz e frutífero. 

Além de temas chaves, a obra de Jane Austen é incrível pela complexidade de sua construção e com toda a certeza merece ser lida por ajudar a entender os problemas da sociedade que ainda são perpetuados até hoje, principalmente com relação à condição das mulheres.

Para os que já leram "Orgulho e Preconceito" ou outra obra da querida Jane Austen, deixem seus comentários que ficaremos muito felizes com a opinião de vocês!

Espero que tenham gostado da resenha da semana!
Beijinhos de luz! ⭐

Comentários via Facebook

3 comentários:

  1. Orgulho e Preconceito" é um clássico maravilhoso, que trás um romance de arrancar suspiros (embora não seja "meloso", dramático nem tampouco erótico) é uma crítica social (sem tornar o texto didático nem cansatico) sobre questões sociais e de gênero que moldam a sociedade até os dias atuais. Por tudo o que foi citado na resenha, pelos pontos destacados no meu comentário, pelo talento de Jane Austen e pela inspiração que essa grande escritora transmite em escritores (as); como eu; até os dias de hoje, que O&P torna-se uma leitura extremamente bem conceituada há mais de duzentos anos, sem o menor sinal de perda de interesse por parte dos (as) leitores (as) ao redor do mundo, muito pelo contrário.

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  2. Ainda não tinha ouvido falar, mas deve ser de fácil leitura, e como deu para perceber assuntos atuais!!

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  3. Adoro Orgulho e preconceito e já perdi a conta de quantas vezes o li, mas o meu favorito é outro... mansfield park. Jane Austen é uma mulher-autora incrível. Amo seu estilo, ritmo e a maneira como constrói os personagens e principalmente como descontrói a idéia do amor a primeira vista. Em orgulho e preconceito, o amor é um sentimento que se alimenta, que depende do dia seguinte. Foi a primeira a fugir daquela coisa de que eu te amei no primeiro olhar. Tanto que em determinado momento da trama, Lizzy é questionada sobre o momento em que ela se viu amando Darcy e ela fica em dúvida, para e pensa, brinca sobre ter visto a imensa propriedade dele e depois repara que foi gradativo. Lindo isso e tão necessário para esse tempo em que as coisas são tão frágeis e que todo mundo quer amar e pronto. ai ai ai.

    Amei seu post. rs

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