A Justiça ainda é cega, mas continua boa de braço

Olá leitoras e leitores sempre tão fofos que são! Sendo legal e seguindo a tradição de dar um tempinho para vocês conseguirem assistir antes de criticar, esperei fazer uma semaninha da estréia da terceira temporada da - falo logo - ainda dona e proprietária absoluta do desejado cinturão de Melhor Série da Marvel. Se você manja dos paranauê, já se ligou então que a resenha hoje é da nova leva de episódios de Demolidor (Daredevil, no original) da nossa querida avalanche de conteúdo: Netflix. Cai pra mão!

Lá em 2015, saía no catálogo da Netflix a primeira temporada de Demolidor, primeiro fruto de uma parceria com o Marvel Studios - que anda azedando depois dos recentes cancelamentos de Luke Cage e Punho de Ferro - e que ainda traria outras séries consigo surfando na mesma onda de heróis urbanos que se inaugurava ali  - como Jéssica Jones e os outros citados.

Sombria, urbana, violenta e extremamente bem produzida, Demolidor foi um tremendo sucesso. O elenco encabeçado pelo trio de protagonistas Charlie Cox (como Matt Murdock/Demolidor), Elden Henson (como o simpático Foggy Nelson) e Deborah Ann Woll (que embora seja tao talentosa quanto seus parceiros, interpreta a personagem problemática que é a secretária/reporter/jurista/detetive Karen Page) esbanjava química e carisma e o vilão Wilson Fisk de Vincent D'Onofrio era ameaçador como só os bons vilões podem ser. 

A série, repleta de tímidas ligações com o universo da Marvel nos cinemas, tinha - e têm - seu maior trunfo na complexidade de seus personagens e na sempre alucinante ação que entrega ao público. Lutas brutais corpo-a-corpo são frequentes e muito bem coreografadas e filmadas desde o primeiro episódio, seus diretores sempre souberam explorar de forma inteligente os poderes de seu protagonista e Matt Murdock é sem dúvidas, hoje, o super-herói que mais apanha em toda indústria.

Claro que, em três anos de episódios, a série não é isenta de erros. Embora sempre tenha comprado os dilemas apresentados em Demolidor, por vezes cansei da hesitação de alguns dos seus personagens - como Foggy Nelson na segunda temporada ou Wilson Fisk na primeira - ou mesmo da forma simplória como grandes mudanças aconteceram - cito aqui tudo de irreal que acontece na vida de Karen Page mesmo nesta nova temporada e das estranhas motivações da personagem Elektra na segunda. Nas primeiras duas temporadas há pontuais excessos de dramas pessoais e, especialmente no segundo ano, por muito pouco, não se perdeu a mão na ação ao ponto de ficar ridículo para o universo apresentado até ali - é um risco que se corre quando se coloca um exército de NINJAS para atacar Nova York.

Confesso que no começo deste novo ano - que se inicia após o desfecho pífio da derivada Defensores - eu achei que o dramalhão novamente seria um problema. Matt Murdock está deprimido, seus amigos também e Wilson Fisk está preso e chorando pela mulher foragida - VVVVVVVVANEEESSSSSSAA! Para completar, somos apresentados a um personagem novo, o - importantíssimo - Agente Nadeem (interpretado pelo indiano Jay Ali) que e um agente do FBI endividado por conta da cunhada com câncer e com problemas no casamento. Que saco! - pensei eu.

Pois sem entrar em spoiler eu digo feliz que não poderia estar mais enganado. Após um começo aparentemente lento, porém extremamente necessário para o que virá depois, temos do terceiro episódio em diante uma escalada de acontecimentos de tirar o fôlego. Cada um dos personagens que já conhecíamos, aqui, atinge o ápice de seus desenvolvimentos narrativos e se tornam interessantes mesmo nos momentos de respiro entre as pausas na trama maior. O Demolidor luta como nunca, Wilson Fisk finalmente mostra porquê é o Rei do Crime, Foggy mostra seu real valor e mesmo Karen Page tem grandes momentos - mérito da atuação primorosa de Deborah Ann Woll.

O inicialmente enfadonho Agente Nadeem vai ganhando importância e conquistando o telespectador até um final surpreendente e muito coerente. Ah! E tem o novo vilão. O amável e odiável Agente Poindexter é simplesmente um acerto absoluto de roteiro e da atuação do fantástico Wilson Bethel. Talvez mais complexa que a do próprio Wilson Fisk, a jornada do atormentando Dex é fascinante de se acompanhar e o bom entendimento das habilidades de sua contraparte nos quadrinhos - que aqui não digo quem é para não estragar a maratona de episódios de ninguém - rende cenas realmente empolgantes sobretudo em seus conflitos com o protagonista.

A terceira temporada de Demolidor é a melhor até aqui. Se desenrola sem medo de matar figuras queridas, mudar drasticamente alguns rumos e de aprofundar - e muito! - o duro passado de seus personagens. Tudo pelo que a série ficou famosa encontra aqui a sua plenitude e merece aplausos - mesmo a famosa "cena do corredor" toma agora proporções nada medos do que cinematográficas. Se você já era fã da série ou do herói, corra logo para maratonar este terceiro ano, e se não é, ter como objetivo chegar logo nesta temporada incrível me parece um excelente motivo para começar a assistir hoje mesmo.

Coeficiente de Rendimento: 4,8/5.

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